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Lula é reeleito para quarto mandato após virada histórica no segundo turno
 

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Com todos os institutos de pesquisa indicando empate técnico, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula, nem os mais otimistas defensores do presidente confiavam na virada. O discurso externo era otimista, mas nas conversas privadas o que mais se ouvia era "muito difícil". 

Lula largou na frente, ao contrário do primeiro turno, mas sofreu uma virada às 19h48min. Flávio se manteve na frente por cerca de 40 minutos, enquanto viu a diferença diminuir até o petista virar às 20h25min, com 47,24% das urnas apuradas, e terminar com a vitória com mais de 63 milhões de votos, a maior da história do Brasil.

A explicação para a vitória de Lula, depois de chegar ao segundo turno com mais de 2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro, está na palavra "mobilização". Os eleitores convictos de Lula despertaram para o risco de ter a família Bolsonaro de volta ao poder e foram para as ruas e redes atrás de eleitores indecisos e daqueles que no primeiro turno ficaram em casa ou votaram nulo ou branco.   

Em Porto Alegre, onde Lula já vencera no primeiro turno, o PT fez a maior mobilização partidária da história na única visita do presidente no segundo turno. A caminhada do Largo dos Açorianos até o Glênio Peres, superou, em muito, o público do comício do primeiro turno.

O corpo a corpo mobilizou estudantes que pareciam desinteressados da política, com o enfraquecimento dos diretórios nas universidades e com o esvaziamento do movimento estudantil no Ensino Médio. Esses jovens fizeram a diferença, seja convencendo outros da sua geração, seja mobilizando pais, mães, tios e avós desencantados com o baixo nível da campanha.

O grande nome da virada não é nenhum líder do PT, mas o deputado André Janones (Rede Sustentabilidade), o único na esquerda a entender a importância das redes sociais e seu peso numa decisão eleitoral. 

Janones atropelou a estratégia do marqueteiro Sidônio Palmeira e criou o Exército do Lula, um canal de WhatsApp que o ministro Kássio Nunes Marques chegou a tirar do ar, mas foi impedido pelo colegiado do Tribunal Superior Eleitoral. Esse exército de mais de 10 milhões de soldados multiplicou as mensagens a favor de Lula e contra Flávio e foi decisivo para a vitória.

O Lula que venceu a sua quarta eleição é um homem calejado, que mesmo em boa forma e com a saúde em dia enfrenta as dificuldades naturais de uma pessoa de 81 anos. Isso explica seu mau desempenho nos dois debates, quando perdeu oportunidades singulares de nocautear o adversário. Se tivesse ao longo dos debates a mesma presença de espírito que teve quando Flávio o chamou de "nove dedos", teria marcado outros gols. 

A vitória se explica pelos acertos de Lula no governo e até pelas medidas eleitoreiras de última hora, mas tem também um componente nada desprezível: o medo da volta da família Bolsonaro ao poder. Todas as pesquisas mostravam que esse medo estava numericamente à frente, ainda que empatado, com o medo do quarto mandato de Lula.

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▪️Texto: Rosane de Oliveira | GZH

▪️Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua

▪️Foto: Nelson Almeida | AFP 




Politica | 25/10/2026 | 21:19
 
 
 
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