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Nem sempre percebemos a realidade exatamente como ela é. Muitas vezes, enxergamos o mundo a partir daquilo que vivemos, sentimos e aprendemos ao longo da vida. Nossas experiências, nossos medos, nossas inseguranças e até mesmo as crenças que construímos sobre nós mesmos e sobre os outros influenciam a maneira como interpretamos as situações ao nosso redor.
O problema começa quando deixamos de reconhecer que existe uma diferença entre aquilo que percebemos e aquilo que, de fato, está acontecendo. Passamos a tratar nossa interpretação como uma verdade absoluta, esquecendo que o outro também possui sua história, suas experiências e suas próprias formas de compreender a realidade.
Na psicologia, aprendemos que o ser humano pode ser compreendido por diferentes perspectivas, principalmente durante a graduação é ensinado que a partir da linha teórica, é ofertado uma visão de mundo e de enxergar as coisas de forma totalmente diferente, nos oferecem caminhos para pensar sobre o comportamento, os sentimentos e as relações, mas a experiência humana nem sempre cabe em explicações tão delimitadas. Existe uma distância, por vezes sutil, entre aquilo que estudamos, aquilo que observamos é aquilo que conseguimos compreender na prática.
Pela perspectiva psicanalítica, por exemplo, nem tudo aquilo que nos move está ao alcance da nossa consciência.Abordando temas como desde o nosso passado, experiências de infância, sonhos, conflitos internos, desejos e experiências que podem influenciar nossas atitudes sem que percebamos claramente sua origem. Às vezes, aquilo que nos incomoda no outro também nos coloca diante de questões que ainda não conseguimos reconhecer em nós mesmos.
Isso não significa que todas as interpretações estejam corretas ou que não existam fatos que precisam ser reconhecidos. Significa, antes, que a maneira como atribuímos sentido ao que acontece também merece ser questionada. Que muitas vezes o outro também esteja olhando para a mesma coisa que você
Porém de outra maneira.
Talvez uma das formas mais importantes de amadurecimento seja justamente essa: aprender a desconfiar um pouco das próprias certezas, sem necessariamente abandonar aquilo em que acreditamos. Estar disposto a escutar, rever uma opinião e considerar outra perspectiva não é sinal de fraqueza, mas de abertura para compreender aquilo que, sozinho, talvez não conseguíssemos enxergar.
Nem sempre estamos certos sobre o que vemos, sobre o que sentimos ou sobre as intenções que atribuímos às outras pessoas. E, em muitas situações, não existe uma única maneira de compreender o que aconteceu, mas diferentes perspectivas que precisam ser consideradas com cuidado.
Nem sempre o que você vê está certo, e se estiver, o que o outro enxerga não precisa necessariamente por este motivo estar errado.
No fim, talvez amadurecer não seja aprender a enxergar tudo com clareza, mas reconhecer que nosso olhar também tem limites. Afinal, entre aquilo que acontece e aquilo que compreendemos existe um espaço no qual nossas experiências, emoções e crenças participam da construção dos sentidos que damos à vida.
E você, já parou para pensar quantas vezes teve certeza de algo sem considerar que poderia existir outra maneira de enxergar a mesma situação?
Me chamo Felipe Bortolotto Psicólogo clínico e vejo você semana que vem na nossa próxima conversa.
A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião da Rádio Charrua.
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▪️Texto e foto: Felipe Bortolotto | Psicólogo | Pós- graduado em Neuropsicologia | Capacitação em avaliação psicológica | Capacitação em nivelamento de escrita
▪️Edição de título: Dario Carvalho | Rádio Charrua