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Por trás de uma mamografia não realizada, de uma consulta adiada ou de um exame que permanece dentro da bolsa, pode existir muito mais do que falta de tempo. Pode existir medo, ansiedade, insegurança e, principalmente, o receio de descobrir algo que mude tudo.
Na assistência à saúde da mulher, aprendemos que nem sempre o cuidado começa com um procedimento. Às vezes, começa com uma escuta sem julgamentos, uma palavra de acolhimento, uma orientação feita com carinho e a compreensão de que cada mulher tem sua própria história.
Como enfermeira, penso que precisamos falar sobre isso com sensibilidade, sem transformar a prevenção em mais uma culpa na vida das mulheres.
O medo não desaparece porque ignoramos a possibilidade de algo estar errado. E o diagnóstico, quando necessário, não deve ser encarado como uma sentença, mas como uma oportunidade de agir no tempo adequado.
É por isso que orientar importa. Acolher sem julgar importa.
Não sabemos o que se passa na vida de cada mulher quando ela deixa uma solicitação de exame esquecida na bolsa. Mas podemos fazer com que, quando ela decidir procurar ajuda, encontre uma equipe preparada para recebê-la.
Nosso trabalho não é apenas incentivar a mulher a fazer um exame. É ajudá-la a não enfrentar sozinha o medo que a impede de fazê-lo.
Porque, na enfermagem, cuidar também é isso: transformar o receio em confiança e a orientação em possibilidade de cuidado.
A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade de quem escreve e não representa, necessariamente, a opinião da Rádio Charrua.
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◾️Texto e foto: Alessandra Martins Loreto | Enfermeira COREN (RS 072.5570) | Especialista em Saúde da Família | Mestre em Saúde Materno Infantil
◾️Edição de título: Dario Carvalho | Rádio Charrua