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Cercados de pessoas, mas sozinhos: a busca por conexões verdadeiras - Por Felipe Bortolotto | Colunista
 

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Por que muitas vezes estamos cercados de pessoas e mesmo assim nos sentimos sozinhos ?

Porque sentir-se sozinho nem sempre tem a ver com estar rodeado de pessoas, ou estar só, mas com a falta de conexão verdadeira.

Vivemos em uma época em que estamos constantemente “conectados”, constantemente “criando vínculos". Vínculos por redes sociais, conversas vazias, curtidas em fotos, conversamos por mensagens, participações em grupos, e todas as outras formas de preencher um vazio ou de apenas engana-se dizendo “olha só, estou rodeado de pessoas”

 Ainda assim, existe uma pergunta que merece nossa atenção: é possível estar cercado de pessoas e, mesmo assim, sentir-se sozinho?

 A resposta é sim.

 A solidão nem sempre aparece quando estamos em casa, sem companhia, ou quando não temos alguém com quem conversar. Às vezes, ela surge durante um almoço em família, em uma roda de amigos, dentro de um relacionamento ou até mesmo em meio a uma multidão. Estamos presentes fisicamente, participamos das conversas, sorrimos quando necessário, mas sentimos que algo nos falta.

 Isso acontece porque estar acompanhado não é o mesmo que se sentir conectado.

 O ser humano vive no meio social, é introduzido a ele desde muito cedo e aprende a se desenvolver a partir dele, aprendemos a conviver com pessoas multidões, e muitas vezes até seguindo tendências, e ao passar dos anos com as novas tendências as relações que desde sempre foram muito marcadas por presença, comprometimento e conexão foram desaparecendo e assim dando início a uma fase onde toda relação parece rasa.

 

O que seria uma relação rasa ?

Podemos conhecer muitas pessoas e, ainda assim, sentir que ninguém realmente nos conhece. Podemos conversar durante horas sem conseguir falar sobre aquilo que verdadeiramente nos preocupa. Podemos receber mensagens todos os dias e continuar com a sensação de que não temos com quem contar quando as coisas ficam difíceis.

Enfim conversas apenas complacentes com momentos bons e futilidades diárias.

Em muitos casos, o que dói não é a ausência de pessoas, mas a ausência de vínculos nos quais possamos ser quem realmente somos, sem precisar esconder nossas fragilidades, controlar nossas emoções ou demonstrar que está tudo bem o tempo inteiro.

A solidão emocional aparece quando sentimos falta de uma conexão que vá além da presença física. É o desejo de sermos ouvidos com atenção, compreendidos sem julgamentos e acolhidos mesmo nos dias em que não conseguimos explicar exatamente o que estamos sentindo.

Por isso, algumas pessoas aprendem a disfarçar a própria solidão. Continuam trabalhando, estudando, cumprindo compromissos e mantendo a rotina. Por fora, parecem estar bem; por dentro, podem experimentar uma sensação persistente de vazio ou desconexão. Nem sempre fazem isso porque desejam esconder algo. Às vezes, simplesmente não sabem como expressar o que sentem ou temem não serem compreendidas.

Também é importante lembrar que sentir solidão não significa, necessariamente, que não somos amados ou que não temos absolutamente ninguém. 

Podemos ter pessoas que se importam conosco e, ainda assim, sentir dificuldade para estabelecer uma conexão emocional mais profunda. Reconhecer esse sentimento não diminui os vínculos que temos; apenas nos convida a compreender melhor nossas necessidades afetivas.

Diante disso, vale refletir: temos encontrado espaço para conversas verdadeiras?

Vemos conexões honestas onde conseguimos demonstrar nossas vulnerabilidades às pessoas próximas?

Estamos construindo relações em que existe espaço tanto para os momentos felizes quanto para aqueles em que não estamos bem?

Talvez o primeiro passo seja abandonar a ideia de que precisamos dar conta de tudo sozinhos. Em vez de esperar que alguém perceba nosso sofrimento, podemos tentar expressá-lo. Em vez de manter relações apenas pela frequência do contato, podemos investir na qualidade das trocas. E, quando a solidão se torna frequente, intensa ou começa a prejudicar nossa rotina, buscar apoio psicológico pode ajudar a compreender o que está acontecendo e a construir formas mais saudáveis de se relacionar.

Afinal, nem sempre precisamos de mais pessoas ao nosso redor. Às vezes, precisamos de relações nas quais possamos nos sentir verdadeiramente presentes, acolhidos e compreendidos.

No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja quantas pessoas fazem parte da nossa vida, mas com quantas delas sentimos que podemos ser nós mesmos, sem precisar fingir que estamos bem.

Você já se perguntou com quantas dessas pessoas você pode contar ?

Me chamo Felipe Bortolotto Psicólogo e vejo você semana que vem na nossa próxima conversa.


A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade da autora e não representa, necessariamente, a opinião da Rádio Charrua.

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◾️Texto e foto: Felipe Bortolotto | Psicólogo | Pós- graduado em neuropsicologia | Capacitação em avaliação psicológica | Capacitação em nivelamento de escrita

⌨️ Edição de título: Dario Carvalho | Rádio Charrua





Colunistas | 16/10/2026 | 17:43
 
 
 
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