A escritora Martha Medeiros, 65 anos, foi eleita patrona da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre. A escolha foi divulgada pela Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) na manhã desta terça-feira (22) em evento na Capital.
A Feira deste ano será realizada de 31 de outubro a 16 de novembro na Praça da Alfândega, no Centro Histórico. Em 2024, o posto de patrono foi do escritor Sergio Faraco.
No ano em que completa 40 anos de trajetória na literatura, tendo como marco inicial a publicação de seu primeiro livro, Strip-Tease, Martha é a nona patrona da história da Feira. A última vez que uma mulher foi eleita havia sido em 2019, quando a escritora Marô Barbieri foi homenageada.
O primeiro livro
Nascida em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961, Martha tem mais de 30 títulos lançados, entre poemas, crônicas e ficção, com dezenas de milhares de exemplares vendidos.
É formada em Comunicação Social pela PUCRS, atuando na área de publicidade e propaganda. Trabalhou como redatora e diretora de criação em diferentes agências.
Em meio à carreira publicitária, Martha começou a escrever poemas como forma de expressão pessoal. Até que, aos 23 anos, juntou algumas dessas expressões e enviou a Caio Graco Prado, dono da Editora Brasiliense, que vinha chamando atenção por publicar nomes contemporâneos com o projeto Cantadas Literárias.
Foi nessa coleção que saiu o primeiro livro reunindo poemas de Martha, Strip-Tease, em 1985. Dois anos depois, Meia-Noite e um Quarto foi lançado pela editora L&PM que passaria a ser responsável por várias das publicações da escritora ao longo dos anos.
Como poeta, Martha ainda publicou os seguintes livros: Persona Non Grata (1991), De Cara Lavada (1995), Poesia Reunida (1999), Cartas Extraviadas e Outros Poemas (2001) e Noite em Claro Noite Adentro (2021).
Legião de leitores
Em 1993, o então marido da escritora, Telmo com quem ela teve duas filhas, Laura e Júlia , recebeu uma proposta para trabalhar no Chile. Martha deixou a carreira na área de publicidade e o acompanhou, passando então a se dedicar somente à escrita. Sua experiência naquele país renderia o guia Santiago do Chile Crônicas e Dicas de Viagem (1996).
De volta ao Brasil, em 1994, foi convidada a publicar crônicas em Zero Hora, onde segue atuando como colunista. Mais tarde, em 2004, também passaria a ser publicada pelo jornal O Globo, do Rio.
Na crônica, Martha conquistou uma legião de leitores com seu texto suave, fluido, coloquial e sincero. Como se fosse uma amiga íntima de quem a lê.
Em 2011, o escritor e colunista David Coimbra definiu o estilo da crônica de Martha:
"Basta correr os olhos pelas primeiras frases de um texto da Martha Medeiros para perceber que ela está se colocando inteira entre a capitular e o ponto final. Martha Medeiros não se esconde, abre-se para o leitor. Ela é sincera e reta, não há dissimulações entre vírgulas, não há o que ler nas entrelinhas. E é precisamente, justamente, exatamente essa precisa, justa e exata sinceridade que faz da Martha Medeiros um sucesso. As pessoas bebem dessa exposição de sentimentos comuns e se saciam com sua límpida simplicidade".
Seu primeiro livro de crônicas, Geração Bivolt, foi publicado em 1995, reunindo artigos que haviam saído em Zero Hora e textos inéditos. Na sequência, Topless (1997) ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria crônica, que ela voltaria a conquistar com Montanha Russa (2003) e Um Lugar na Janela 2 Relatos de Viagem (2016).
Entre as crônicas adaptadas para o teatro estão Trem-Bala (1999), sob direção de Irene Brietzke; Tudo que Eu Queria te Dizer (2007), estrelado por Ana Beatriz Nogueira; e Doidas e Santas (2008), protagonizado por Cissa Guimarães.
Estreia no romance
Com Divã, em 2002, Martha estreou na ficção. A obra foi adaptada como peça, filme e série de TV, sempre com a atriz Lilia Cabral à frente.
Os demais romances de Martha foram os seguintes: Selma e Sinatra (2005), Fora de Mim (2010) e A Claridade Lá Fora (2020).
Entre os mais recentes lançamentos da escritora estão Comigo na Livraria (2024), que reúne textos sobre a paixão pelo universo literário, e a coletânea Dose Única, que saiu neste ano pela Vitrola Editora, reunindo crônicas de Martha acompanhadas de ilustrações de Daniel Kondo.
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Fonte: William Mansque / GZH
Editado pela Central Charrua de Notícias (CCN)
Imagem: Carin Mandelli / Divulgação |