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Governador e empresários industriais estudam alternativas frente ao tarifaço dos Estados Unidos
 


 

Alternativas frente ao tarifaço dos Estados Unidos sobre as exportações com origem no Rio Grande do Sul foram tema de reunião entre o governador Eduardo Leite e um grupo de empresários industriais liderado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier. O encontro foi nesta sexta-feira (18), no Palácio Piratini, a portas fechadas.

Com os novos fatos envolvendo a operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e o recrudescimento do tom dos Estados Unidos contra o Brasil, já começa a se falar em mitigação dos prejuízos econômicos. Conforme apurou a reportagem, são medidas que já preveem políticas de amparo aos setores mais afetados, seja em redução de impostos, seja em linhas de crédito.

De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Rio Grande do Sul é o segundo Estado mais afetado pelo tarifaço.

A reunião foi um momento de as empresas "exporem os seus dramas", disse o presidente da Fiergs, Claudio Bier. A pesquisa da CNI menciona que seriam perdidos ao menos 110 mil empregos nacionalmente em razão do entrave das exportações. Já a Fiergs acredita que o dado pode ser ainda maior.

Mudanças em contratos de trabalho

O primeiro passo é buscar a revisão das tarifas. Depois, a prorrogação do prazo para o início da vigência, caso as tratativas iniciais não avancem. Se nada disso for possível, outras medidas de terão de ser pensadas, afirmou Leite. O governador citou como exemplo ações que foram aplicadas durante a pandemia, como os regimes diferenciados de trabalho.

— Confio que façam isso para a revisão das tarifas, mas que também comecem a desenhar e projetar medidas que ajudem os setores que vão ser impactados. Porque, por exemplo, a busca por novos mercados não acontece da noite para o dia. Medidas que foram adotadas na pandemia, como suspensão em contratos de trabalho e outras, vão ter que ser também adaptadas para essa circunstância, para essas empresas que sejam mais impactadas — disse Leite.

Uma correspondência será enviada ao vice-presidente Geraldo Alckmin com os pontos tratados na reunião.

Emprego, exportação e PIB

Economista-chefe da Fiergs, Giovani Baggio enfatizou que os impactos financeiros com a elevação das alíquotas são de pelo menos três ordens: geração de empregos, balança comercial e resultado econômico.

Couro e calçados e setor moveleiro acendem alertas especialmente pela quantidade de pessoas que empregam.  Já o segmento da celulose preocupa pela importância em PIB gerado.

— Temos vocação exportadora e, por isso, não surpreendem os dados que são apresentados. Seremos muito impactados — alerta Baggio.

Dos pescados à fabricação de armas e munição, segmentos de diferentes áreas estiveram representados na reunião. Para os alimentos in natura, como é o caso dos peixes, a preocupação da indústria gaúcha é de que os itens produzidos no Estado sejam facilmente substituídos, nos Estados Unidos, por produtos de outros países.

"Industriais não vêm dormindo"

A operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, deflagrada nesta sexta-feira, acrescenta nova dose de aflição ao setor fabril, pelas possíveis novas retaliações dos Estados Unidos que podem vir. Em contato direto com os empresários, o presidente da Fiergs diz que os industriais "não vêm dormindo":  

— Imagina trabalhar produzindo, não saber se vão aceitar o teu produto. Se o produto embarcar, que tarifa vai ter, quanto ele vai custar... É muito, muito difícil. Temos empresas em que 95% do seu faturamento é para os Estados Unidos. Por isso que brinquei: um empresário desse não dorme.

 

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Fonte: Bruna Oliveira / GZH

Editado pela Central Charrua de Notícias (CCN)

Imagem: Bruna Oliveira / Agência RBS



Geral | 18/07/2025 | 16:04
 
 
 
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