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Da boca do presidente da Argentina, Javier Milei, insultos, grosserias e palavrões fluem com invulgar naturalidade. Foi assim na campanha presidencial argentina, quando atacava os adversários sem medir palavras e encerrava comícios, entrevistas e manifestações com o slogan "viva la libertad, carajo". Ali era um candidato falando em seu território. Os insultos dirigidos ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, na convenção do PL, foram proferidos por um chefe de Estado, ainda que tenha vindo ao Brasil como militante da direita.
Ao chamar Lula de "presidiário", como fazem os bolsonaristas, e Moraes de "basura calva" (lixo careca), Milei atropelou a diplomacia e criou uma crise diplomática que não vai dar em nada. A pergunta que será respondida na eleição é se transformar o boquirroto na principal atração da convenção, desviando atenção do seu discurso e do fato em si, ajuda ou atrapalha Flávio Bolsonaro.
Os radicais que apoiam o senador do PL estão empolgados, como se a fala mal-educada de Milei fosse aplaudida por unanimidade neste país dividido, em que eleitores de centro estão órfãos de candidato.
Aí reside o problema de Flávio. O radicalismo de Milei e suas relações com gente que pratica a política do confronto não ajudam a atrair eleitores moderados, que não gostariam de votar em Lula, mas não se identificam com as bizarrices de aliados como o presidente argentino.
Se Flávio afugentou o centrão antes da performance de Milei, e não conseguiu fechar uma aliança óbvia com o PP e o União Brasil, não será a gritaria em espanhol a atrair quem não está com ele. Parte do seu eleitorado migraria para Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Santos se um dos três se mostrasse competitivo. Como até aqui não se mostraram, Flávio segue em segundo lugar nas pesquisas, mas perdendo para Lula nas simulações de segundo turno.
A reação do Itamaraty foi a que recomenda o protocolo. Chamou os embaixadores, mas manteve a resposta na esfera diplomática. Quem saiu dos trilhos e se rebaixou ao nível de Milei foi o ministro da Fazenda, Dario Durigan, naturalmente um homem elegante, e chamou o presidente argentino de "palhaço". Não precisava.
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◾️ Fonte: Rosane de Oliveira | GZH
⌨️ Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Nelson Almeida | AFP