Por Mônia Schluter,
Engenheira Agrônoma,
Produtora Rural,
Diretora Agroplan.
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A comercialização do arroz em casca nacional tem enfrentado uma semana de baixa liquidez e negócios fracos, resultando em pouca variação nos preços e demanda reduzida.
Essa estagnação impacta duramente toda a cadeia produtiva, do campo à indústria, gerando preocupação e, infelizmente, provocando demissões no setor. A expectativa de muitos está na operacionalização de mecanismos governamentais como o Pepro e o PEP, que ainda não foram implementados.
Apesar dos desafios comerciais, o cenário externo está favorável, com o retorno das exportações, segundo Conab as exportações da Safra 2024/2025 somam 1,6M ton.
A competitividade do preço do arroz brasileiro no mercado global tem atraído compradores, resultando em bons volumes de negócios e ajudando a "enxugar" o excedente interno. Para os produtores de arroz de baixo rendimento, utilizado na parbolização, a recomendação é a venda o quanto antes, pois, diferentemente do arroz branco, a indústria prefere a matéria-prima o mais fresca possível.
Adicionalmente, a iniciativa do Governador do RS de fomentar o mercado via CDO é vista como um apoio crucial.
No Rio Grande do Sul, a semeadura da safra 2025/2026 segue em ritmo avançado, apesar dos imprevistos. Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), regiões como a Zona Sul (97,44% semeado), Planície Costeira Interna (90,80%) e Planície Costeira Externa (89,75%) lideram o processo.
A Fronteira Oeste, uma das maiores áreas, atingiu 86,46%, e a Região Central, com 61,66%, espera finalizar a semeadura nos próximos dias, demonstrando o empenho dos produtores apesar do iminente colapso financeiro se o mercado não mudar em breve.
No cenário internacional, a Índia está sob os holofotes devido a denúncias do chamado "Arroz Fantasma". Uma Força Tarefa Especial foi criada para investigar possíveis fraudes e desvendar uma complexa rede de conexões envolvendo agentes comissionados, agências de compras, moinhos e agricultores. A suspeita é de que passes para o governo sejam emitidos por volumes de arroz significativamente maiores do que o realmente entregue, o que poderia explicar o aumento sistemático da produção indiana desde 2019/20 e o expressivo crescimento dos subsídios.
Enquanto a investigação indiana se desenrola, as monções continuam a impactar o panorama mundial. Nas Filipinas, o setor de arroz foi severamente afetado por tufões recentes, que também causaram estragos no Vietnã, Laos, Camboja e, de forma crítica, na Tailândia. Com barragens em níveis alarmantes e a ameaça de inundações em Bangkok, o governo tailandês intensificou o desvio de águas para as planícies fluviais do Chao Phraya, áreas vitais para o cultivo do arroz e para a economia do país como grande exportador global.
Diante de um panorama tão complexo – com baixa liquidez interna, a resiliência do plantio local, a esperança nas exportações e mecanismos governamentais, somados aos desafios climáticos e às questões de transparência global –, o mercado do arroz exige vigilância constante e estratégias ágeis. Continuaremos acompanhando de perto esses desdobramentos, que são cruciais para a sustentabilidade e o futuro do setor arrozeiro
*A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade do autor e/ou assessoria de imprensa.
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◾️ Fonte: Mônia Schluter / Engenheira Agrônoma
⌨️ Editado por Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Mônia Schluter / Arquivo Pessoal