Por Antonia Scalzilli
Presidente do Instituto Desenvolve Pecuária
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Chegamos na edição da COP30, e de repente o agro, aquele mesmo que foi atacado, desprezado e rotulado de “vilão climático”, virou o grande trunfo político do governo federal. Ironia das ironias: quem sempre tentou pintar o produtor como inimigo da natureza agora precisa dele para se mostrar sustentável diante do mundo. O discurso mudou, mas o campo continua o mesmo, produzindo, conservando e carregando o Brasil nas costas.
Enquanto muitos tentam lacrar em conferências internacionais, é o agro brasileiro que tem o que mostrar de verdade. Temos uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta, com mais de 66% do território nacional preservado. Produzimos alimento, fibra e energia com baixa emissão e alta eficiência, e, de quebra, ainda sequestramos carbono. A agricultura e a pecuária tropicais são uma das maiores soluções climáticas do século XXI, mas poucos têm coragem para bradar isso publicamente.
E o Rio Grande do Sul tem papel fundamental nesse cenário. É aqui que o campo se reinventa em meio às adversidades, com agropecuaristas que preservam o bioma, recuperam pastagens naturais e manejam o solo com inteligência. O gaúcho aprendeu a trabalhar respeitando o ciclo da terra e somos exemplo de como produzir com excelência integrados à natureza.
Na COP30, o Brasil vai brilhar, não por causa de discursos ensaiados, mas graças à força silenciosa de quem acorda cedo e faz. O mundo precisa saber que o verdadeiro preservacionista anda embarrado, usa botas e fala pouco, mas entrega muito.
O agro brasileiro não é problema. É solução.
E o Rio Grande do Sul é prova viva de que tradição e inovação podem andar lado a lado. Enquanto a política passa, o campo permanece.
*A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade do autor e/ou assessoria de imprensa.
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◾️Fonte: Antonia Scalzilli / Presidente do Instituto Desenvolve Pecuária
⌨️ Editado por Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Antonia Scalzilli / Arquivo Pessoal