Por Juliano Nascimento,
Servidor Público com mais de 18 anos na fiscalização da Engenharia Pública e Privada
Administrador de Empresas
Especialista em Gestão Pública
Especialista em Gestão de Pessoas
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É uma grande satisfação compartilhar algumas reflexões sobre um tema essencial para o desenvolvimento do Brasil: a infraestrutura. Gostaria de destacar a importância da fiscalização das engenharias e geociências em grandes obras, tomando como exemplo o Contorno Viário de Florianópolis, tema do meu livro publicado pelo Conselho Editorial do Senado Federal, com prefácio do estimado amigo Senador Esperidião Amin.
A obra encerra dez anos de trabalho e dedicação, reunindo resultados, aprendizados e impactos positivos não só em Santa Catarina, mas em todo o Sul do país. Ela revela a complexidade técnica por trás da construção de uma rodovia moderna e os avanços obtidos graças à atuação fiscalizatória.
O livro “A Fiscalização da Engenharia e Geociências na Obra do Contorno Viário de Florianópolis” integra a coleção oficial do Senado e, em breve, terá segunda edição, a pedido do Senador Amin — uma grande honra.
O Contorno Viário da Grande Florianópolis, com 50 km de pista dupla, seis acessos, quatro túneis duplos, 21 passagens em desnível e sete pontes, representa um marco da engenharia brasileira.
Com custo de aproximadamente 4 bilhões de reais, seu principal objetivo é desviar o tráfego de longa distância da BR-101, especialmente o de caminhões que não têm a capital como destino. Desde sua inauguração, em julho de 2024, mais de 4,5 milhões de veículos já utilizaram a via, resultando em redução expressiva de acidentes e 30% menos fatalidades na BR-101/SC.
A nossa atuação na fiscalização técnica desta obra foi uma experiência de grande aprendizado. O projeto exigiu acompanhamento rigoroso, devido à diversidade de solos e ao relevo complexo, garantindo a conformidade com as normas técnicas e a segurança estrutural.
O livro apresenta essas lições e soluções, servindo como um modelo de estudo de caso para futuras obras de infraestrutura no Brasil.
A experiência demonstra uma verdade incontestável: investir em infraestrutura é investir em desenvolvimento econômico e social. Estradas seguras, portos eficientes e ferrovias bem planejadas conectam regiões, reduzem custos logísticos e melhoram a qualidade de vida.
No Sul, com sua forte vocação agrícola, industrial e turística, a carência de infraestrutura ainda limita o potencial de crescimento. O Contorno Viário é prova de que projetos bem executados e fiscalizados geram benefícios duradouros para toda uma região.
Na Fronteira Oeste, algumas frentes de investimento merecem atenção especial.
A modernização da infraestrutura rodoviária é prioridade, já que a região é um corredor estratégico do Mercosul. A melhoria e duplicação de rodovias como a BR-290 e as ERS que liga Uruguaiana a outras cidades são fundamentais para o escoamento da produção e o fortalecimento do comércio internacional, sempre com fiscalização técnica rigorosa para assegurar qualidade e durabilidade.
Outro ponto crucial é o avanço da infraestrutura logística integrada, aproveitando o potencial do porto seco de Uruguaiana — um dos maiores da América Latina — e promovendo a conexão eficiente entre os modais rodoviário, ferroviário e, futuramente, hidroviário. Isso reduziria gargalos, custos e impactos ambientais, com apoio da expertise em geociências no planejamento territorial.
Além disso, é urgente investir em saneamento básico e drenagem urbana, áreas muitas vezes invisíveis, mas vitais para a saúde e o bem-estar da população. A ampliação das redes de esgoto, tratamento de água e sistemas de drenagem traria retornos sociais e ambientais duradouros, desde que acompanhada por fiscalização adequada.
Por fim, o grande potencial regional para energias renováveis, especialmente solar e eólica, deve ser explorado de forma planejada. A implantação de parques eólicos e fazendas solares, com acompanhamento técnico e responsabilidade ambiental, pode diversificar a matriz energética, gerar empregos e atrair investimentos sustentáveis para a região.
Assim, o livro revela que o Contorno Viário de Florianópolis é mais que uma rodovia: é um testemunho do poder transformador da engenharia e da fiscalização responsável. As lições aprendidas nessa obra podem inspirar iniciativas semelhantes na Fronteira Oeste, impulsionando o desenvolvimento regional com planejamento, técnica e visão de futuro.
Que este exemplo nos motive a pensar grande e agir com responsabilidade.
Infraestrutura é desenvolvimento, é integração e é dignidade.
*A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade do autor e/ou assessoria de imprensa.
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◾️Fonte: Juliano Nascimento / Especialista em Gestão Pública
⌨️ Editado por Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Juliano Nascimento / Arquivo Pessoal